Viva a Nova Independência do Brasil Pronunciamento
à nação do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva,
em cadeia nacional de rádio e televisão, por ocasião do 187º aniversário
da Independência do Brasil Brasília / DF, 06 de setembro de 2009 Queridas
Brasileiras e Queridos Brasileiros, É comum
que o 7 de setembro sirva para a gente enaltecer o passado e pensar
o presente. Desta vez é diferente: este é o 7 de setembro do Brasil
festejar o futuro. De celebrar uma nova independência.
Esta nova
independência tem nome, forma e conteúdo. Seu nome é pré-sal; seu conteúdo
são as gigantescas jazidas de petróleo e gás descobertas nas profundezas
do nosso mar; sua forma é o conjunto de projetos de lei que enviamos,
há poucos dias, ao Congresso Nacional. E que vai garantir que esta riqueza
seja corretamente utilizada para o bem do Brasil e de todos os brasileiros. Peço a
cada um de vocês que acompanhe passo a passo as discussões destas leis
no Congresso. Que se informe, reflita, e entre de corpo e alma nesse
debate tão importante para os destinos do Brasil e para o futuro de
nossos filhos e netos. Posso resumir
em duas frases a proposta do governo: de um lado, ela garante que a
maior parte da riqueza do pré-sal fique nas mãos dos brasileiros; de
outro, ela impede que qualquer governante gaste de forma irresponsável
estes recursos. E mais: obriga que este dinheiro seja aplicado em educação,
ciência e tecnologia, cultura, defesa do meio-ambiente e combate à pobreza. Minhas
amigas e meus amigos, o pré-sal é uma das maiores descobertas de todos
os tempos. Ainda não se pode dizer, com exatidão, quantos bilhões de
barris de petróleo existem nele. Mas já se pode garantir, com toda segurança,
que ele colocará o Brasil entre os países com maiores reservas de petróleo
e gás do mundo. Elas se
espalham por uma área de 149 mil quilômetros quadrados, que começa no
litoral do Espírito Santo e termina no de Santa Catarina. É uma área
do tamanho do estado do Ceará. As jazidas
ficam debaixo de uma lâmina de água e de camada de sal, que, em alguns
pontos, correspondem a dez morros do corcovado empilhados. Minhas
amigas e meus amigos, o que deve fazer um povo livre, responsável e
soberano ao receber tamanha dádiva de Deus?
Garantir que esta riqueza não escape de suas mãos, buscar os
meios mais eficientes de explorá-la e modernizar suas leis para não
repetir os erros de outros países. A história
tem mostrado que a riqueza do petróleo é uma faca de dois gumes. Quando
bem explorada, traz progresso para o povo. Quando mal explorada, ela
traz conflitos, desperdícios, agressão ao meio-ambiente, desorganização
da economia e privilégios para uns poucos. Assim, alguns países pobres,
ricos em petróleo, não conseguiram jamais sair da miséria. Por isso,
dei orientações bem claras aos ministros. Primeira: o petróleo e o gás
pertencem ao povo brasileiro. Como no pré-sal, os possíveis sócios terão
poucos riscos, eles não podem ficar com a parte da renda. Ela tem que
ser do povo. Segunda orientação: o Brasil não pode ser um
mero exportador de óleo cru. Vamos agregar valor aqui dentro, exportando
derivados, como gasolina, diesel e produtos petroquímicos, que valem
muito mais. Vamos construir uma poderosa indústria de equipamentos e
serviços e gerar milhares e milhares de empregos brasileiros. Terceira
orientação: não vamos nos deslumbrar e sair por aí, como novos ricos,
torrando dinheiro em bobagens. O pré-sal é um passaporte para o futuro.
Vamos investir seus recursos naquilo que temos de mais precioso e promissor:
nossos filhos, nossos netos, nosso futuro. Minhas
amigas e meus amigos, os ministros seguiram estas diretrizes e honraram
o compromisso com o povo brasileiro. A principal mudança que estamos
propondo é que, nas áreas ainda não exploradas do pré-sal, passe a vigorar
o modelo de partilha. Quase todos os países que têm grandes reservas
e baixo risco de exploração adotam este sistema. Ele garante que o estado
e o povo continuem donos da maior parte do óleo e do gás mesmo depois
de sua extração. O modelo
de concessão, que foi adotado em 97, não se adapta a nova situação.
Seria um erro mantê-lo no pré-sal. Um erro grave. Ele foi implantado
quando não sabíamos da existência de grandes reservas e o País não tinha
recursos para explorar seu petróleo. Estamos
propondo, também, que a Petrobras seja a operadora de toda área. Ou
seja, exerça atividades de exploração e produção, com uma participação
mínima de 30% em todos os blocos. Não podia
ser diferente. Afinal, temos dentro de casa uma das maiores, melhores
e mais respeitadas empresas de petróleo do mundo. Assim saberemos tudo
sobre as reservas, aperfeiçoaremos nossa tecnologia e faremos da Petrobras
uma empresa ainda mais forte. Este trabalho
será complementado pela Petro-sal, uma nova empresa estatal, enxuta
e altamente qualificada, que vai gerir os contratos de partilha e os
de comercialização. Ela não vai concorrer com a Petrobras. Sua função
é outra - a de ser o olho do povo na fiscalização de toda operação. Minhas
amigas e meus amigos, hoje o Brasil tem todas as condições políticas,
econômicas e tecnológicas para enfrentar este desafio. A economia do
Brasil vive um novo momento. De Não só
pagamos a dívida externa, como acumulamos reservas de 215 bilhões de
dólares. E mais: reduzimos a miséria e as desigualdades. Mais de 30
milhões de brasileiros saíram da linha da pobreza. E destes, 20 milhões
ingressaram na nova classe média, fortalecendo o mercado interno e dando
vigoroso impulso à nossa economia. O fato
é que hoje temos uma economia organizada e em crescimento, que foi testada
na mais grave crise internacional desde 29 e saiu-se muito bem. Não
só não quebramos, como fomos um dos últimos países a entrar na crise
e estamos sendo um dos primeiros a sair dela. Antes, éramos alvo de
chacotas e de imposições. Hoje, nossa voz é ouvida lá fora com atenção
e respeito. A Petrobras
de hoje é a cara deste novo Brasil. É a oitava maior empresa do mundo.
Não existe nenhuma empresa, na Europa, do tamanho dela. Nas Américas,
fica atrás apenas de três gigantes norte-americanas. E é a segunda empresa
em lucratividade. E, entre as petroleiras, a segunda em valor de mercado
no mundo. A Petrobras
chegou aí, entre outros motivos, porque este governo acreditou e investiu,
dando condições para que ela aumentasse a produção, encomendasse plataformas,
sondas, modernizasse e ampliasse refinarias, treinasse e contratasse
funcionários. Além de construir uma grande infra-estrutura de gás natural
e entrar na área de biocombustíveis. O coroamento
deste esforço foi exatamente a descoberta, pela própria Petrobras, das
reservas do pré-sal. Um feito extraordinário, que encheu de admiração
o mundo e de orgulho os brasileiros. Minhas
amigas e meus amigos, este é um governo que acredita no Brasil e no
que ele tem de mais rico: o seu povo. É por isso
que propomos que os recursos do pré-sal sejam colocados em um fundo
social, controlado pela sociedade, e que será aplicado, majoritariamente,
De outro
lado, funcionará, também, como um dique contra a entrada desordenada
de dinheiro externo, evitando seus efeitos nocivos e garantindo que
nossa economia siga saudável, forte e baseada no trabalho e no talento
de nossa gente. Todos estes
temas estão agora O embate
e a paixão política fazem parte do universo democrático, mas não podemos
deixar que interesses menores retardem ou desviem a marcha do futuro.
Uma democracia só se fortalece com a participação da sociedade. Por
isso se mobilize, converse com seus amigos, escreva pra seu deputado,
seu senador, pra que eles apoiem o que é melhor para o Brasil. O Brasil
não tem medo de crescer, nem de buscar os melhores caminhos. Não vai
ficar preso a dogmas, a modelos fechados ou a falsas verdades. O Brasil
acredita no livre mercado mas também no papel do estado como indutor
do desenvolvimento. E saberá sempre buscar o equilíbrio que garanta
o melhor para seu povo. Queridas
brasileiras e queridos brasileiros, é tempo de ampliarmos, ainda mais,
a nossa esperança no Brasil. A independência não é um quadro na parede
nem um grito congelado na história. A independência é uma construção
do dia-a-dia. A reinvenção permanente de uma nação. A caminhada segura
e soberana para o futuro. Viva o
7 de setembro! Boa noite! |
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Fonte: Blog do Planalto